Relaxe…
Engula todas as suas angústias
Cuspa na cara de quem lhe importunar
todas as meias verdades
ditas por entre os dentes
Fuja de toda a luz do sol
Corra para bem longe
Esqueça de todo o roteiro
que deveria ter sido seguido até aqui
Se perca em caminhos
Em corpos ardentes
Em beijos de traição
Em sorrisos de redenção
Volte e olhe pra si mesmo
Sua vida e seus objetivos
Seus amores e seus objetos
Olhe até para os mais abjetos
Vomite todo o amargo
das profundezas dos ressentimentos guardados
das paixões mal resolvidas
dos amores mal amados
Não dispense simpatias
Não desperdice sorrisos
Não estenda as mãos
Não remoa problemas
Não conte histórias desinteressantes
Não seja desinteressante
Não seja!

Eu sou fã dessa mulher.
Com garra e fibra conseguiu se tornar uma atriz respeitada depois de beber muitos copos de sofrimento. Conquistou seu lugar nos palcos e na vida cultural do país. Já foi tachada de muitos nomes, alguns nem tão honrosos e honestos. Desbocada, irreverente e com uma inteligência admirável. Seus palavrões sempre ditos com propriedade e independência eram críticas e contestações. Essa sim soube ser uma grande mulher e se foi deixando um vazio proporcional a sua grandeza.

Semana passada mexendo numa banca de promoção de DVD dessas lojas de departamento me deparei com esse cara e levei ele pra casa na hora.
Filme clássico de minha infância, imprescindível para minha pequena videoteca. Revi o filme com uma emoção única.
Fica aqui minha recomendação.
Este é o último texto que escrevo pra você. Até porque, você já não é mais o protagonista de minhas histórias. Você não está mais disponível em minha prateleira de produtos ordinários. De você tenho apenas recordações de poucos momentos de prazer instantâneo e fulgaz. Felicidade barata com hora marcada e fim determinado. Tudo tem prazo de validade. As festas acabam por mais que ainda tenha docinhos na mesa. Foi o fim da nossa festa. O que mais poderia ter sido? Não poderia. Comemos do prato do dia. Nos lambuzamos com a sobremesa chinfrim, era cortesia da casa. O que vem de graça quase sempre é bem vindo e pouco valorizado. E eu me dei de graça. Ignorei todas as ponderações da razão. Dispensei tempo e sentimentos. Foi um risco. Risco que vou correr quantas vezes for necessário. Não tenho medo de errar. Nem de perder. Não tenho medo de amar. Nem de dizer. E eu amei você a troco de nada. Me parece que amor é assim mesmo. Sei que tudo foi tão bom e tão ruim na mesma intensidade. Agora a roda gigante parou. E amanhã quando acordar não vou mais pensar em você. Não vou sentir vontade ou saudade. Nem amor ou rancor. Nada. Está tudo, definitivamente acabado.
Para quem está sem fazer nada em frente ao PC e gosta de testes fúteis e afins, sugiro esta página da Revista Isto É:
http://www.terra.com.br/istoe/testes/
Tem teste pra tudo, é ótima.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: «La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos.»
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Pablo Neruda, en Veinte poemas de amor y una canción desesperada.
Hoje é dia da Liberdade de Pensamento.
Considero que o pensar é livre, o falar nem tanto.

Como aconteceu?
Não me lembro exatamente, mas desde então tudo o que vivo começa a se apagar logo depois, tenho a vida sem lembranças.
Primeiro fui me esquecendo de datas, compromissos, horários, pequenas formalidades cotidianas.
Depois de pessoas não tão importantes, conhecidos, parentes distantes, e suas histórias, que em algum momento tive de ouvir sem querer. Confidências, problemas de família, conquistas amorosas, todos os detalhes de histórias que nunca precisei saber, mas estavam no arquivo.
E um dia acordei e percebi que estava esquecendo de mim, minha vida com todos os acontecimentos bons e ruins.
Todas as conquistas, frustrações, sonhos e ilusões perdidas.
Não sei de onde vim, que planos já fiz, quais consegui concretizar.
Imagens de tudo o que já vi, aromas, formas, sons e cores.
Não sei mais em que trabalho, o que aprendi a fazer, qual minha idade, cor ou comida predileta.
Também não sei onde moro e não me lembro mais de nenhuma das cidades em que já vivi.
Não sei quais os livros li, quais as músicas que gosto, quais os filmes, personagens, autores.
Todas as pessoas que conheci, não sei mais quem são. Também não me lembro das viagens e paisagens.
Esqueci todos os sorrisos que distribuí, as lágrimas que derramei, as palavras ditas nas horas erradas, as confissões.
Já não me lembro dos meus amores, das mudanças, das experiências.
Esqueço de absolutamente tudo.
O que foi mesmo que você me perguntou?
Tempo pra quê?
Pra saber que está tudo imensamente ruim debaixo desse lindo céu azul que vejo agora da janela do escritório.
Pra saber que amanhã tudo será insuportavelmente igual a hoje e a ontem e a todos os dias anteriores dessa vidinha sem sal nem açúcar.
Pra saber que o futuro é inevitável, mas não necessariamente bom.
Pra saber que posso até comer o mesmo pão, mas nunca do mesmo pedaço, e isso me faz esperar que um dia o pão melhore mesmo tendo a certeza que não.
Pra saber que não importa como eu comece a escrever a história ela sempre terá o mesmo amargo e previsível final.
Pra saber que não adianta tentar, pensar positivo, ou seguir qualquer conselho idiota de auto-ajuda, nada nunca vai mudar.
A única mudança possível é a destruição de meu corpo e de minha mente por sua implacável ação, senhor tempo.