Eu quero agora.
E a vida segue imediata, nada de planos em longo prazo ou sonhos para um futuro melhor, eu quero hoje e não vou esperar.
É pra hoje o carro novo, a casa bacana, a paixão arrebatadora e a felicidade de comercial de margarina.
A ansiedade corrói a alma e dá dor de estômago, mas os prazeres são imediatos e os orgasmos sempre múltiplos.
Eu quero mais.
E se não acontece eu me frustro, me deprimo, tomo fluoxetina para viajar num mundo irreal e tudo passa.
A vida passa depressa, o tempo passa depressa e eu não posso mais perder tempo, correr atrás. Tenho de estar sempre na frente.
Quero tudo em excesso, álcool, sexo, lágrimas, drogas, amor, comida, desespero, mentiras.
A verdade dói, por isso quero sempre que mintam pra mim, que digam exatamente o que quero ouvir e nenhuma palavra a mais.
Não quero viver, viver também dói, então continuo fingindo uma vida superficial e vazia, pintada com caneta hidrocor que não sai com água e regada a meios sorrisos disfarçados e falsos sentimentos.
Amigos?
Uma hora ou outra vão me cobrar algo, prefiro os fúteis companheiros de noitada, que nunca saberão nada sobre minha vida apesar de fingirem que me conhecem bem.
Amores?
Irão me abandonar, mais cedo ou mais tarde, em uma esquina dessas da vida, então troco prazer por carinho barato.
Amor também dói e eu não quero dor e nem angústia. Nada de valores morais ou éticos.
Quero sucesso, vida fácil comprada em promoção nas prateleiras sortidas dos supermercados e nas vitrines badaladas dos shoppings.
Quero consumir uma a uma as coisas boas da vida.
Quero o prêmio acumulado da Mega Sena.
Quero ser gostosa como a modelo da revista.
Quero ser famosa como a pop star instantânea do reality show.
Quero tudo. Quero demais. Quero já.
Falou e disse, falou a real total dessa vida.
Muito legal o texto!!!
Estranho, tempos atrás se valorizava muito a profundidade, o estudo e a essência. Hoje vemos um imediatismo extremo, onde tudo é a curto prazo ou pra ontem. Não se fala em aprendizado de vida, fala-se em meta de médio e longo prazo, uma puta loucura!!!!!! Ja nem sabe-se como chamar a época que vivemos, talvez ultramodernismo, pra mim, é histeria globalizada. E o engraçado é que tenho que me policiar para não entrar neste mundo de falsas fórmulas de felicidade e de sucesso, onde poucos alcançam e muitos se frustram. Deve ser a comunicação, tão massificada, que fica difícil de saber pra que objetivo ou objetivos ela serve….
abraço