Às vezes, antes de dormir, ela passava algum tempo questionando quando encontraria alguém com quem pudesse dividir os dias e noites que agora estavam tão vazios.
Gostava de imaginar que tinha alguém em algum lugar que também a procurava e que ainda não haviam se encontrado por absoluta falta de sorte, ou de tempo. Imaginava como seria seu rosto, olhos, sorriso, e buscava-o entre os anônimos pela cidade.
Ficar só não era propriamente um problema para ela que tanto apreciava a liberdade e o fato de não ter de se explicar ou dar satisfações, mas de uns tempos pra cá sentia que as tardes de domingo e as noites de lua cheia perderam a graça.
Estaria ela querendo uma paixão avassaladora? Um amor verdadeiro? Ou só alguém com quem pudesse falar sobre livros, cinema, política e chuva? Alguém com quem pudesse rir de si mesma e chorar as mágoas sem medo?
Ela acredita que não sabe bem o que deseja da vida, das pessoas e do mundo, e apesar de tantas incertezas acha sua vida muito boa, mas é que às vezes sente uma angústia e pensa que talvez seja mesmo falta de alguém.
Pelo que conheço dela, creio que deseje apenas um quase amor, um romance meio expediente, um abraço que não prenda suas asas, um beijo que não cale a sua boca e olhos que brilhem tanto quanto os seus diante da beleza da vida.
Enquanto isso ela espera. Todos esperam…
Impossível não se identificar com esse texto, adorei!