Já está instituído que mulher irritada e mal humorada está com TPM, assim como sábado é dia de feijoada, quarta tem promoção no cinema e crisântemo é uma flor para se levar ao cemitério. Eu detestaria receber um buquê de crisântemos, pelo menos enquanto não estiver ascendido ao céu, ou descido, afinal tudo depende das circunstâncias.
Voltando as irritações femininas, adoro ouvir alguém dizendo: _nem chegue perto dela hoje, ela está com TPM. A TPM definitivamente nos dá inúmeros álibis, inclusive o de matar alguém e ter fortes chances de ser absolvida, mas a civilidade que me resta ainda me impede de chegar a tal extremo.
A TPM já substituiu a famigerada dor de cabeça, até porque um – ai amor, hoje estou com uma TPM! – soa muito mais perigoso.
Se brigou com o namorado não precisa mais passar o dia no trabalho disfarçando o choro, é só chegar de manhã e dizer, estou com uma puta TPM, todos vão entender.
Quer desmarcar o cinema com aquele mala, que você tem certeza que só aceitou o convite porque estava muito muito carente, batata, ligue e diga: _ estou com uma TPM horrível, ele certamente não irá questionar e muito menos insistir.
Seu namorado diz que marcou para vocês irem jantar na casa da mãe dele bem no dia em que vai passar aquele filme que você está louca pra ver, como desculpa perfeita use a TPM, ele não ousará ficar de mau humor, ele sabe que será impossível competir com o seu.
Inclusive você já pode xingar a tiazinha rabugenta do apartamento ao lado que sempre implica com você só porque as suas festas sempre viram a noite, tudo sob a máscara da TPM, é lógico.
Enfim, absolutamente tudo o que fizermos com indícios de extremo desequilíbrio emocional e psicológico pode ser creditado a TPM.
Palmas para a TPM e por toda a liberdade que ela nos proporciona, inclusive a de nunca sermos questionadas quanto às nossas desculpas esfarrapadas. Até porque sendo os sintomas verdadeiros ou não, quem ousará correr o risco?