Li, há um tempo atrás, um texto da colunista da Revista VIP, Cynara Menezes*, em que ela lista motivos que a faziam desejar ser homem, que vão de banalidades interessantíssimas (como o fato de poder fazer xixi em pé e na rua quando não há banheiro perto) até não ter que se depilar na torturante e dolorosa sessão com cera quente.
Acho engraçada essa fixação pelo universo masculino onde as mulheres desejam os pequenos prazeres permitidos apenas aos homens, mas o que esquecemos é que nós mulheres somos responsáveis pelas permissões concedidas apenas aos homens desde sempre. São as mães que distinguem desde cedo o que é apenas para meninos e o que as meninas podem fazer. E essas concessões são sempre injustas.
A colunista também diz o seguinte: “Queria ser alto e lindo e sair por aí comendo todo mundo sem me apaixonar por ninguém. Queria saber distinguir melhor amor de sexo. Pegar uma aqui, outra acolá e continuar amando a patroa lá em casa!”
Essa liberdade masculina mexe muito com a fantasia das mulheres, e me dirão: “mas muitas mulheres fazem isto também”, e eu concordo, mas poucas são as que fazem sem culpa nenhuma e sem se achar uma vadia… Isso porque um comportamento assim ainda é inadmissível às mulheres direitas, e o grito de libertação ainda não transpôs os limites impostos pela moral e os bons costumes. Fazer o que quer e dizer o que pensa em relação a sexo, sem ser terrivelmente censurado, ainda é exclusividade dos homens.
Eu nunca quis ser homem, mas sou obrigada a discordar de um amigo meu, que diz que a vida da mulher é bem mais fácil. A verdade é que o fato de ganhar uma cerveja no balcão do bar apenas com um sorriso é legal, mas não facilita em nada a minha vida, terei sempre que continuar provando a minha capacidade, lutando pra não ser discriminada, e não aceitar ganhar menos por ser mulher.
Já ouvi uma vez numa entrevista de emprego que a empresa não estava contratando mulheres porque mulheres engravidam. Ora, será que nessa empresa alguém já ouviu falar em anticoncepcional? Homem não passa por isso, ninguém diz, não queremos você porque é um homem, a menos que a vaga seja num puteiro, e olhe lá.
Sim, confesso que é muito legal não pagar a conta de vez em quando, mas sempre que tenho dinheiro, faço questão de dividir, e creio que seja muito mais vantajoso não ter de usar sutiã nunca.
No Fantástico está passando uma série sobre diferenças entre homens e mulheres, mas o enfoque das matérias não são as diferenças sócio-culturais, aquelas que estão arraigadas num padrão que dita o que os homens podem e o que as mulheres não podem fazer, e isso independe de genética, de fisiologia, de hormônios ou de capacidade intelectual. Isso é preconceito e é dessa culpa imposta que as mulheres precisam se libertar.
Sempre conto uma piadinha que trata desse tema de diferenças muito bem: Deus estava distribuindo as características de homens e mulheres para Adão e Eva. Em um saco, diversos papeizinhos traziam escritas essas características e eles iam tirando um a um. Quando só restavam dois, Adão retirou e leu – fazer xixi em pé – comemorou freneticamente, aos pulos e gritos, e Eva então tirou, resignada, o último papel onde estava escrito – orgasmos múltiplos.
Minhas amigas, o que vocês preferem?

Nós, mulheres, temos nas mãos a chance de exterminar todo tipo de discriminação, incluindo a concepção de “superioridade” masculina. Afinal, a educação dos filhos ainda é, exclusivamente, delegada a mulher. Então, pq nao construir na cabeça dos pequenos a idéia da igualdade entre todos, independente de sexo, credo, cor e nacionalidade??
Jamais trocaria meus múltiplos orgamos pela capacidade de urinar em pé…rsss..
Muito lúcido o seu post.
Quer saber o que eu invejo nas mulheres? Não ter a responsabilidade de levantar o pau na hora H.
Eu nunca invejei as coisas do mundo masculino, nem mesmo as facilidades. Sonho com um lugar diferente para ambos, homens e mulheres, e muito melhor. A maior parte dos exploradores econômicos, morais e afetivos é composta por homens mas tem muita mulher filha da puta também. Como boa aquariana, eu prefiro sonhar com uma convivência mais harmoniosa entre seres mais humanos.