Instruções para depois da minha morte I
Não está nos meus planos morrer agora, mas como uma boa capricorniana que sonha em manter o controle sobre tudo, registro aqui a minha primeira lista de exigências para quando eu passar desta para melhor.
Esta é a primeira já que serão feitas atualizações porque eu mudo de idéia com freqüência. Portanto amigos e parentes fiquem atentos.
Não se esqueçam que esses procedimentos só deverão ser tomados depois que todos tiverem a absoluta certeza de que estou mesmo mortinha da silva.
1 – Doem todos os meus órgãos, ou pelo menos os que estiverem em bom estado de conservação. Só não garanto o fígado, mas também nem sei se tem transplante de fígado.
2 – Não comprem um caixão muito caro, eu não sou uma pessoa que costuma fazer altos investimentos em bens duráveis, e ele nem precisa ser tão durável, não quero atrapalhar demais o trabalho dos vermes que darão cabo do meu corpinho.
3 – Por favor, me vistam com uma de minhas roupas preferidas, tenho fases de roupas e costumo repetir as que mais gosto, portanto, observem. E não me calcem sapatos, me sentiria uma defunta ridícula com sapatos, mas coloquem meias porque tenho frio nos pés.
4 – Não façam de maneira alguma velório, tenho pavor de velório, nunca vou a velórios e me recuso, desde já, ir ao meu.
5 – Quando eu sair da sala de arrumar morto de uma dessas PAX da vida, levem-me direto ao cemitério e, por favor, sejam breve, não façam longas orações, não caiam em choro compulsivo e lembrem-se nada de comentários idiotas sobre a minha aparência ou sobre como morri, principalmente não digam: - “morreu feito um passarinho”. Senão vocês vão se ver comigo.
6 – Queridos amigos e familiares, por favor, não se joguem no caixão gritando: eu quero ir também, eu odeio barraco e definitivamente vou continuar odiando depois de minha morte.
7 – E lembrem-se que eu odeio crisântemo, por favor, nada de crisântemos, nem em dia de finados.
Anônima, por enquanto disse,
Maio 14, 2008 às 7:32 pm
Só de pensar em vermes me comendo todinha eu morro de nojo de mim mesma! rs. A fim de evitar todos esses contratempos, decidi e avisei toda a família que quero ser cremada. Se eu morrer no frio, que por favor guardem minhas cinzas até o verão e joguem no mar, de preferência em Ubatuba, num dia lindo de sol e calor. Meu irmão mais novo está incumbido disso, devido à ordem natural das coisas. Mas como andamos de relações estremecidas por causa da porra da minha cunhada, prefiro não morrer por enquanto. Vai que…?
fellow disse,
Maio 19, 2008 às 3:28 pm
Que eu não morra em vão.
Assim talvez até seja imortal, e meu corpo, que importa, existindo as estátuas, homenagens e feriados em meu nome.
Aproveitando-se de minha imagem martirizada para causas que com certeza não me interessarão.
Mas isso é claro é só um delírio de grandeza para brincar com o anonimato incondicional.